Hoje cedo, parei pra ler uma matéria da Laura Pitcher que fala sobre os influencers de opinião nas redes sociais norte-americanas e, durante o texto, ela se aprofunda um pouco no tema educação, ao dizer que talvez esse crescimento esteja impulsionando os gráficos que todo ano destacam que o jovem norte-americano pode estar cada vez mais afastado do aprendizado real.

Enquanto lia, só conseguia traçar o paralelo com o Brasil e lembrar que essa mesma situação acontece no nosso país a algum bom tempo, onde, mesmo com algumas diferenças, temos impactos semelhantes ou até piores. Laura diz que consegue enxergar dois caminhos consequentes desse crescimento: o primeiro é a população se apegar mais a esses conteúdos mastigados e se afastar de um aprendizado mais robusto, com livros e explicações mais desenvolvidas, já o segundo caminho é positivo, levando em consideração que, com mais pessoas consumindo conteúdos de curiosidades históricas e acadêmicas e vendo o Saber como algo "descolado"/ "cool", a busca por conhecimento se torne algo corriqueiro, o que faria os gráficos subirem e essa população jovem se tornar mais inteligente.

Acontece que, aqui no Brasil, a situação é diferente, onde mesmo se uma parcela dos jovens brasileiros começasse a ver glamour em ler livros na rua, escutar podcasts sobre conhecimentos gerais e assistir vídeos rápidos sobre cultura e sociedade, o impacto provavelmente não seria significante para interferir nos incentivos à educação no Brasil, pois o nosso problema além de ser a dificuldade de manter crianças e adolescentes no ensino básico, é manter as crianças e adolescentes que são pobres e socialmente excluídos no ensino básico, porção que além de ser a maior parte dos jovens brasileiros, pode já não acreditar mais que a educação é o único jeito de salvar suas vidas.

Quando criança, eu percebia essa procura da classe mais baixa, me incluindo, pela maneira mais fácil e rápida de sair da miséria, porém tenho a sensação de que, naquele tempo, a sociedade se posicionava mais contra essa ideia, buscando sempre reforçar que a educação é o melhor caminho e que não tem outro jeito de ascender socialmente e se manter no topo além de ter uma boa educação. Hoje, talvez essa ideia esteja diminuindo nas famílias, enquanto os influenciadores sem propriedade para tratar de alguns assuntos só crescem, o que pode estar atrapalhando a inclusão do pensamento de que é preciso estudar para mudar de vida na cabeça das crianças e adolescentes das classes inferiores.

Além da influência indireta desse tipo de conteúdo nas famílias de classes baixas, no Brasil, as coisas pioram, já que alguns podem estar sendo diretamente induzidos por personalidades a pensar que levar o filho pra escola pode ser mais um problema do que uma solução, que utilizam frases elitistas e até algumas que beiram o racismo para convencer famílias de classes nem tão baixas de que, na escola, o filho pode estar aprendendo costumes e não teorias acadêmicas.

Laura deixa no seu texto pontos que nos fazem considerar os benefícios caso o nicho do saber cresça no Brasil também e, olhando por alto, realmente parece que, daqui uns anos, talvez o formato seja utilizado nas escolas para ensinar coisas menos importantes, como dicas de gramática, as capitais e seus países e até mesmo algumas equações matemáticas não muito complexas. Acontece que, agora, no nosso país, a sociedade pode não confiar na educação como antes, tornando certos tipos de conteúdo nas redes sociais mais prejudiciais a algumas famílias do que benéficos.