No dia 06/07 apresentei a primeira parte do meu TCC e o desenvolvimento dessa monografia é tudo o que faço nos últimos meses, e após a apresentação eu achei que um sentimento de alívio iria ocupar meu corpo imediatamente. E adivinhe, não foi assim!

Em paralelo a isso, decidi que esse ano eu iria cuidar de mim, então retornei a terapia, continuei vivendo deliciosamente a rotina de musculação e yoga, já que minha rotina me permiti isso, tenho tentado outras coisas para que o melhor momento seja o agora. Porque venho pensando muito sobre os prazos da vida, eu sempre fui de fazer 1001 coisas ao mesmo tempo e inúmeras vezes me sentia triste por não consegui não segui a risca o cronograma do meu dia, porque as vezes eu saia 12h de x lugar, precisava almoçar correndo e 12h30min está em outro lugar.

Quando tinha essa rotina com quase nenhuma janela de horário, eu vivia fazendo notas mentais para que posteriormente eu valorizasse, uma delas que nunca me esqueço é: valorizar almoçar comida fresca em um prato de vidro. Por vezes, quando estágia em uma gráfica a minha marmita azedava, porque a geladeira não dava conta de comportar tantas marmitas. E isso me deixava muito chateada, porque eu só tinha 15min para almoçar em um horário que muitos queriam usar o microondas e metade da minha marmita estava azeda, as abobrinhas.

E quando penso nessas situações, penso que não quero retornar a isso, mas penso que processo é o que o ser humano menos valoriza, eu junto, ainda mais nessa lógica capitalista, a gente só quer resultado e resultado, conquista e prestígio.

E acho que foi isso que pesou no dia 06/07, todos esses meses tento viver deliciosamente a experiência de estudar, ler e escrever, e esses processos e a flexibilidade dele são coisas que quero me apegar ao máximo. As vezes, eu fico sempre pensando muito em um futuro breve (máx. de seis meses) e deixo isso me consumir, de forma racional entendo que é o fim de um ciclo e a ansiedade de saber como será, conseguirei algo na minha área ou vou ter que seguir outras rotas e ao mesmo tempo traçar planos e projetos.

Mas hoje, ouvindo o último ep do podcast da Lela, pensei muito nela falando sobre isso de esperar para viver, sendo que o processo também é vida e o futuro é incerto, é óbvio, mas a gente se cega com tão pouco. E seguindo essa lógica, os alívios que não tive logo após a apresentação, eu mesma tive que construir, quando eu pensava nisso, eu ficava que bom, dei mais um passo ou que bom, consegui apresentar da forma que pude. E ao mesmo tempo, eu ficava me cobrando mais e mais, chega ser loucura essa lógica de cobrar si mesmo melhores desempenhos e como ela pega nos detalhes.

Ontem minha mãe entrou no meu quarto e eu estava deitada na cama com o notebook, uma pilha de livros do meu lado e scrollando o celular com a cara mais infeliz do mundo...e ela disse "se permita descansar" e eu com a terrível sensação de que não fiz nada o dia todo, sendo que eu: fui na academia, nutri meu corpo, bebi água, fiz meu almoço, li e pesquisei algumas coisas, fiz coisas de casa, trabalhei....mas a sensação era que eu fiquei deitada o dia todo sem fazer nada.

Então é: se agarrar ao processo, porque ele é tudo o que tenho e dia após dia venho subindo degraus que em algum momento vão me levar a algum lugar e aproveitar coisas que um dia foram um grande desejo, fazer aula de inglês, ter uma terapeuta que dê match com a minha personalidade, almoçar comida fresca, consegui fazer yoga, ter uma luminária com luz quente, ter um tecladinho sem fio, trabalhar homeoffice, ter uma rotina flexível, saber mexer no illustrator, conseguir desenvolver um tcc com bolsa do pibiart...