Ultimamente, tudo na minha existência vem contribuindo para a reflexão do “ser mulher".

Primeiro foram materiais que ando lendo e venho de forma mais realista pensando no cotidiano do mundo e tudo que isso afeta na minha vida e em outros; segundo foi uma questão que levei para minha psicóloga e ela de forma magnífica pontuou todas as grandes opressões do patriarcado na minha fala, depois veio a apresentação do meu tcc, no qual tinha uma banca apenas de mulheres e elas pontuaram coisas impecáveis que falam também desse lugar benéfico do patriarcado, o homem (principalmente o branco) e sua legitimidade intelectual.

As músicas que escuto já falam das lutas diárias de ser mulher e galgar seu lugar, mas recentemente encontrei um vídeo antigão salvo no meu tiktok da NandaTsunami falando da deusa Kali e ela mencionava a fúria e a necessidade de mudança que vem atrelado a figura dessa deusa dentro da cultura Hindu e claro, foi a cereja do enorme bolo de pensamentos existenciais.

Hoje fui em uma oficina da diva Miriam voltado exclusivamente para mulheres LGBTQIAPN+.

Está naquele ambiente me INVOCOU uma sensação tão escola no sentido positivo, na minha vivência eu sempre tive um grupo misto, mas dentro desse grupo tinha um núcleo completamente feminino que se apoiavam e resistiam ali nas questões complexas da adolescência e rolava uma manutenção dessa amizade e o apoio no "se tornar mulher”. E isso, é algo que na vida adulta eu sinto que se apaga, porque não é todo mundo que consegue seguir nessa rotina de manutenções e fora as coisas se tornam muito solitárias, não é algo que precisa ser, mas se torna. Aquela obrigação escolar de se ver todos os dias acaba.

E hoje na oficina, eu conhecia apenas 3 pessoas das 8,5 presentes e quando me toquei, eu estava sentindo a mesma sensação do ensino médio, de está em coletivo pensando e rindo, falando coisas pessoais, em uma situação onde eu me sentia a vontade de falar sem filtro e receber falas sem filtro, mas em nenhum momento sem noção, mas sim motivadora. Enfim, nessa longa e variada conversa tive a dimensão que embora não pareça, não é só eu que sou engolida pela solitude.

Enfim, foi uma troca muito gostosa de ser vivida e ultimamente, tenho sentido uma urgência por viver mais entre mulheres, mas mulheres na mesma sintonia, não diria semelhantes, mas com consciência das opressões do mundo, eu não tenho muito paciência para dondocas que acha tudo certo aos 29 anos não entender nada de política (tava voltando para casa da oficina e passei na rua principal dos bares e vi uma mulher sentada com dois homens na mesa e ela falou em voz muita alta isso que mencionei, acho o ápice da tristeza uma mulher fazendo a manutenção do patriarcado sendo pick me girl, vai se fuder)

Enfim…voltando. Essa urgência é quase como um lugar de se sentir viva, sabe? Sinto essa mesma sensação vivendo o grupo de orientação do TCC, ali sinto um impulso para viver a vida acadêmica, por mais que eu fique super pensativa sobre esse processo de forma quase que me isolo, mas o ato de me fazer deslocar para as reuniões já é uma tentativa de não me manter na torre que é a vida adulta.

E quando penso esse "ser mulher" é muito do está confortável em si e agindo conforme anseios, confiando que você é a melhor pessoa para falar sobre aquilo, porque você estudou, você pesquisou, você está aprendendo e é isso, esse esforço para ser melhor deveria bastar como justificativa para está ali, uma justificativa para si próprio, claro.

Penso também muito na estética, as vezes, me sinto afastando do ser mulher (no meu ideal) quando começo a performar uma feminilidade forçada através de roupas, sapatos e tals. E é bobo, mas isso me afeta taannnto, me sinto feia quando percebo que de novo me rendi a certas coisas que não sou eu, as vezes até por pressões sociais, o diabo do patriarcado morando nas entrelinhas.

Finalizando, acho que é preciso pensar para além do que se tem, estou tentando fazer o movimento de fazer coisas sozinha e ir em lugares sozinha, porque muito da vida adulta é isso e fora que nesse caminho me conecto com essas coisas, todas as situações que mencionei no segundo parágrafo eram situações que eu me levei para viver e talvez se eu fosse com uma outra pessoa teria sido totalmente diferente (menos a terapia, aí tem que ser eu e a carol) e entra em outra situação de incômodo, estou tentando ser menos rancorosa e tem um grupo de amigos que não nos vemos faz mais de 6 meses e ninguém responde ao grupo, isso estava me chateando muito, mas ao mesmo tempo acho que se quisessem já teriam feito acontece e tento fazer aquele exercício de entender que a vida adulta é corrida. Logo, penso que esses exercícios de está me levando para passear sai dessa inércia de esperar que pessoas amigas se juntem, e também movimenta outros ares, e o ser mulher envolve tudo (emocional, físico, afetos, espiritual, profissional, acadêmico e os tantos elos que a vida precisa para acontecer.)

Não era para chegar de fato em alguma resolução, é um pensamento super aberto ainda acontecendo, não achei uma reposta, mas ultimamente estou pesando sobre o ser mulher adulta como o sujeito que faz suas coisinhas e tenta não ser uma ismália que se joga da torre tentando tocar o céu, mas uma ismália que alcança o céu e o chão se torna só um marco de onde esteve.