No último dia 13/03, Djonga lançou seu álbum "Quanto Mais Eu Como Mais Fome Eu Sinto" e foi uma das poucas produções que o Djonga já fez nos últimos anos que eu parei e ouvi. Em 2018, eu era muito fã dele, muito mesmo; meu maior sonho era trabalhar na equipe dele (e eu nem sabia que iria, de fato, ingressar na faculdade de Artes). Essa admiração era um sentimento que eu compartilhava com o meu amigo João Lucas. Conheci o Djonga antes do João, e, quando começamos a desenvolver nossa amizade, sempre conversávamos sobre música. Inicialmente, era o nosso assunto mais comentado nas longas 2 horas que demorávamos até chegar em casa; posteriormente, esse tema foi se misturando com outros, e ficávamos longas horas viajando sobre diversos assuntos.

Antes de ele falecer, no ano em que o Djonga lançou História da Minha Área, o Pelezinho me mandou mensagem quase no exato momento em que o álbum foi liberado no YouTube, e a gente começou a conversar simultaneamente por áudios, ouvir cada faixa e conversar sobre tudo, desde a fotografia até as possíveis referências que a gente podia perceber nas letras das músicas. Foi muito legal! Lembro que chorei em algumas músicas, e a gente riu bastante de felicidade também.

Hoje em dia, é uma das memórias em que eu mais penso quando vem Djonga na minha cabeça. Após o falecimento do João, eu não conseguia ouvir o álbum Ladrão. Primeiro, porque o João sempre postava fotos com legendas de músicas desse álbum. Segundo, porque ele tinha me falado qual era sua preferida do álbum, e, para mim, ficou impossível ouvir — coisas que, escrevendo este texto, percebo que eram sintomas do luto. Posteriormente, o Djonga foi se arriscando em trabalhos nos quais eu não me identificava mais e, com toda a certeza, eu deixei de ouvir. Pulava sempre, ouvia faixas pontuais de trabalhos antigos... até este ano.

Como mencionei antes, o último álbum eu sentei e ouvi com bastante atenção, e veio à minha memória essa situação que narrei anteriormente. Em qual lugar eu quero chegar, afinal? Eu sinto muita falta do João Lucas e, todos esses anos, eu não lidei com o fato de ele ter partido do nada. Acredito que essa ruptura brusca de ouvir o Djonga foi uma fuga de lidar com meus sentimentos sobre toda essa situação, mas, ouvindo este álbum, eu lembrei de todos os momentos. Eu consigo imaginar ele cantando algumas faixas e acredito que isso veio muito desse retorno do Djonga para si mesmo. Amigo, espero que, de onde você esteja, na próxima vida a gente possa ouvir mais músicas juntos!!!

Não sei se gostei do último álbum para ser sincera, no final eu apenas quero falar de arte e memória afetiva!