Nascida em 1976, Ana Paula, como qualquer “neguinha” do Brasil da época, teve uma infância que, nos padrões de hoje, provavelmente levaria em cana meus dois avós maternos. É triste, complicado, mas era a realidade daquele tempo. Eu, obviamente, não conheci Ana Paula criança, mas pelas duas fotografias que consegui dela com mais ou menos 18 anos, afirmo que ela sempre foi uma mulher muito bonita, e não somente um rosto bonito, mas uma pessoa muito motivada em ser feliz. Quando mais jovem, frequentava forrós e eventos de salão da sua cidade natal. No carnaval, ao sambar, parecia flutuar entre os surdos e caixas dos blocos. A dança sempre fez parte da sua vida, é praticamente hereditário, já que sua mãe foi campeã de alguns torneios de dança enquanto ainda pôde dançar.
Pulando todas as partes tristes da sua história, Ana Paula, assim que alcançou estabilidade, se mostrou uma mulher que de fato sabia ser feliz. Aproveitava todas as oportunidades que tinha de curtir um momento que provavelmente a faria bem e, analisando de fora, realmente fizeram. Vi Ana Paula enfrentar vários momentos dificílimos da sua vida, mas sempre se manteve cercada de amor e carinho, buscando o bem-estar dela mesma e de todos à sua volta.
De acordo com suas próprias palavras, nasceu para ser mãe e, mesmo que seja muito suspeito da minha parte dizer isso, ela realmente vestiu a camisa e fez a melhor campanha como Mãe da história da humanidade. De acordo com ela, conseguiu escolher o gênero do primeiro e único filho que desejou ter, criou ele como sempre quis, não deixou o papel de mãe a consumir e ainda consegue observar o amor que seu filho (eu) sente por ela, sempre que o olha nos olhos da mesma forma que um dia ela o fez sentir.
Como já dito, Ana Paula sempre soube aproveitar sua vida e desenvolver seus talentos que são muitos. Profissionalmente, é um exército de uma mulher só, com um currículo vastíssimo que conta com inúmeras profissões, incluindo: podóloga, segurança, bombeira civil, costureira, cozinheira, monitora, cabelereira, entre realmente outras muitas coisas.
No amor, foi uma mulher consciente que, nos primeiros sinais negativos do pai do seu filho, decidiu seguir sozinha sua vida e cuidar do garoto do primeiro ano de vida até os dias atuais com suas próprias unhas e seus próprios dentes.
Do nascimento aos dias atuais Ana Paula sempre foi um espécie de símbolo/identidade desconhecida mas que o mundo todo tenta descrever, no cinema Gina Prince-Bythewood tenta descreve-la em outra época como A Mulher Rei interpretada por Viola Davis. Na música "Maria, Maria" Milton Nascimento consegue chegar bem perto. Ben Enwonwu mostrou e exaltou a beleza de Ana Paula no quadro Christine, mas nada consegue de verdade representar a existência dessa, incrível, especial, única, fabulosa e inoxidável pessoa que coincidentemente me trouxe pra esse mundo. Ana Paula é um ser indescritível, a melhor e maior mulher que esse mundo já viu, o meu primeiro amor, minha Deusa e minha Rainha. Beijos Mãe e um FELIZ, BELO e INCRÍVEL Aniversário! Te amo