Hoje em dia temos muita coisa para fazer e gastar nosso tempo, o que valida cada vez mais a frase "não tinha televisão em casa", ao se retratar de casais com bastante filhos. Antigamente era realmente mais difícil se manter ocupado e desde que a maçã foi mordida o sexo sempre foi visto e sentido como algo prazeroso e de alto entretenimento, por muitos é conhecido como um dos maiores motivos para o crescimento da interação social, e me colocando entre os muitos que acreditam nessa consequência do sexo nas nossas vidas, acredito que a falta dele entre os mais jovens pode ou não ser algo a se preocupar. Nesse texto trago alguns comentários sobre o assunto, entre eles alguns fatores que podem ou não estar influenciando esse comportamento entre os mais novos.
Surto de Covid-19: medo e comodidade.

Durante a pandemia, os jovens nascidos entre 2003 e 2008, perderam a considerada por mim, parte mais importante da vida, o momento onde os desejos começam a ser reconhecidos e começamos a ser os responsáveis das nossas ações. O fato de naquele período estarmos confinados e realmente amedrontados com a contaminação da COVID-19, pra quem tinha entre 12 e 17 anos na época foi outro fator amedrontador, o afastamento das escolas que pra muitos era o único ambiente de socialização foi fazendo esse fenômeno escalonar, o que pode hoje em dia ter sido motivo para um desenvolvimento em massa entre os jovens de um certo medo de estar em sociedade, não a níveis extremos ou até diagnosticáveis para ser rotulado como algum transtorno, digo sobre um medo que pros jovens mais velhos daquela época era algo "comum" e que estava sendo desenvolvido nessa mesma fase, mas que hoje é uma sensação mal desenvolvida em massa nos jovens de 2007 a 2008. Em contrapartida os mais velhos entre 2003 a 2006 acabaram se acomodando com o tempo sozinho e atoa que tiveram durante os 2 anos pandêmicos e agora realmente não enxergam no próprio ser a vontade de estar socializando, e sem vida social, sem vida sexual.
O Foco em ser produtivo: a faca de 2 gumes.

Vemos diariamente no nosso cotidiano vivendo em sociedade e nas redes sociais, o incontrolável crescimento da quantidade de pessoas querendo cada vez mais ser produtivas. E sexo aos olhares de alguns dos maiores influenciadores desse movimento é algo muito mal visto, quase como perca de tempo, e fazendo o recorte de idade do início desse texto a conta é simples, motivar jovens a se comparar com personalidades bem sucedidas e disseminar que a chave pra ser bem sucedido é a falta de sexo, vai sim ser um dos motivos para a queda da atividade na vida dessas pessoas.
Pornografia.

Esse é um tema muito profundo e que não cabe em somente um parágrafo, mas por hora tentando resumir, digo que a pornografia facilitou demais o acesso a conclusão do prazer em todos os seres humanos, em qualquer faixa de idade, onde os mais velhos foram afetados por revistas, outros por filmes longos e hoje, vídeos curtos de 30 segundos já são necessários para levar pessoas ao orgasmo, o que que diminui significativamente e logicamente a busca por alguém que se atraia pelo sujeito, crie uma intimidade, e chegue ao sexo que ainda sim pode ser péssimo, fazendo assim, jus ao fato de que a comodidade somada a querer ser produtivo com a redução do tempo torne a masturbação a melhor opção na busca do prazer.
Faria um texto somente focado nesse tema já que é realmente muito profundo, mas adianto que um dos motivos de muitas garotas hoje em dia estarem se alistando em sites de comercio de fotos intimas e cafetinagem web vem muito da junção do vício em pornografia somado a lei da oferta e demanda, querem prazer rápido, mas não querem ser virgens, então pagar alguém pra lhes dar o prazer é o "melhor" caminho.
A Vaidade e Desenvolvimento Social

Nesse último, mas não menos importante tópico, venho delirar junto a vocês sobre a possibilidade de que talvez a falta de sexo entre os mais novos seja resultado da soma de tudo o que eu falei anteriormente, junto a alguns detalhes que formam um fenômeno geracional, que pode ser desenvolvido ou não nas próximas gerações. A falta de desenvolvimento social no tempo certo, fez com que ele tenha sido concluído muito tarde, e várias das opiniões das pessoas dessa faixa etária são formadas pelo coletivo de ídolos que elas admiram. Muitas das vezes o pessoal que aplica a ciência de que ser extremamente produtivo, nunca confrontou o próprio método muito menos tentou alterar o funcionamento do padrão de sua vida, se mantendo num ciclo de disseminação e aplicação em sua própria vida de um lifestyle que não é o mais querido por eles, mas como todos seus ídolos amam, eles se propõem a amar também.

Isso está diretamente ligado a serem super vaidosos, mas somente os que são acessíveis por outros em sociedade, resumindo, são performáticos, não a performance produtiva, mas a performance de atuação, fingem serem as melhores versões de si mesmos para se sentirem melhores, e até mesmo desejáveis. O problema é ato sexual, é íntimo de verdade, intimo a ponto de tudo o que foi feito pra chegar nesse momento, todas as mentiras, as roupas legais, talvez os livros e até as músicas caem por terra.

Sexo é um ritual onde o prazer é inversamente proporcional a vaidade, onde quanto mais se preocupa em como as posições serão observadas na terceira pessoa, quão bonito é o som dos gemidos e outras coisas além do sentimento real, menos prazer se tem. E tendo ou não esse conhecimento sobre a relação entre a vaidade e o sexo os jovens no fim se encontram numa sinuca de bico onde o medo de ser rejeitado acaba influenciando a quantidade de vezes anuais que o jovem faz sexo, já que se colocar num patamar acima quando o assunto é sexo cria uma expectativa nas pessoas que vão compor essa dança, e o medo de fazer isso e dar tudo errado pode causar pânico e um medo de nunca mais conseguir outro alguém novamente (influenciando diretamente o aumento de profissionais do sexo no Brasil). O outro caminho onde as expectativas dos parceiros são baixas ou inexistentes, causam uma certa queda de interesse fazendo assim com que talvez o sexo não aconteça, causando também o fenômeno que estamos tentando dissecar nesse texto.
Esse texto tenta resumir em MUITAS linhas algumas das várias opiniões que eu tenho sobre o assunto, ficou meio grande eu sei, mas foi literalmente pra isso que eu criei esse site.
Não me incluo nessa lista, primeiro porque faço bastante sexo, segundo porque sou nascido e criado em Guarará, alguns dos fatores tecnológicos e sociais que deixaram essas pessoas acomodadas demoraram uns 3 anos pra chegar lá, então teoricamente tenho 26 anos e estou fora dessa lista maldita de jovens que não gostam da dança do acasalamento.