Estou nesse momento em um conflito interno cheio de dúvidas e confusões futurísticas. Sempre fui focado em ser alguém de conceitos simples, como a primeira constituição dos Estados Unidos. Sempre fui maleável com as minhas decisões, ao mesmo tempo que sou alguém decidido posso mudar de ideia a qualquer momento, mas não transmito instabilidade nas minhas palavras. Busco ser leal aos meus princípios mais profundos e aos meus gostos pessoais e individuais!
Hoje estou na idade perfeita para se ter dúvidas, eu tenho 22 anos, sou maravilhosamente jovem (adolescente) e adulto na mesma medida, ou seja, eu posso errar e mesmo que esteja enganado, acredito que devo cometer erros para que possa me moldar como alguém imperfeito, mas que se conheça a níveis confortáveis, que me coloque entre saber o segredo do que me faz feliz e ainda ter curiosidades sobre a vida e experiências que me encantam.
Ainda sim, mesmo que seja comum e algo necessário para evolução humana estou sendo consumido pela curiosidade de decifrar logo se a vida tem mais pra me oferecer, se realmente esse é só o começo ou se a vida é apenas isso, se o que eu vejo nas ruas de Juiz de Fora é a realidade verdadeira, onde apenas os idosos aposentados, caso consigam se aposentar, recebem o privilégio de aproveitar de pelo menos 8 das 10 horas diurnas do nosso dia, e que nós (qualquer um fora desse exemplo) somos fadados a perder grande parte do nosso tempo útil de vida, doando o máximo de si para receber de volta o mínimo do mundo. Não quero acreditar que realmente só irei conseguir aproveitar o sol da manhã em dias úteis quando minha pele já não estiver suportando nem a mínima porção de radiação que nosso astro rei emana, ou somente nos 22 dias úteis anuais que o regime de trabalho atual Brasileiro felizmente conseguiu pra nós, população de base brasileira que de forma cruel é privada de todas as coisas lindas que nosso país tem a oferecer. Agradeço a CLT que me permite esses 22 dias garantidos, mas não me é suficiente e é ai que vem a culpa.
O Brasil é um país jovem, mas são mais de 500 anos no mesmo lugar e não é possível que eu sou o escolhido para não ser saciado pela oportunidade de viver do básico, não quero aceitar esse pouco que me ofereceram, não aceito que esse pouco e básico pode me trazer mais momentos de felicidade do que de tristeza e profunda insatisfação com o destino. Sou otimista e me considero alguém que pelas circunstâncias sou alegre, então por que ainda me sinto assim quando percebo que o mundo está me moldando para me acostumar com sempre o pouco? O salário sempre será o mínimo? O meu carro sempre será o pior? Será que realmente vai chegar o momento que eu poderei ordenar itens em sites de compra por qualidade e não somente do preço mais baixo para o mais alto?
Não digo somente sobre preço e sim sobre valor, faz sentido pra vocês que o engenheiro "responsável" cujo papel é praticamente doar 10 horas semanais de sua vida para assinar papeis e comparecer a reuniões ganhe 15x mais que o servente que doou para concluir uma obra de 6 meses, trabalhando 8 horas por dia e retirando os finais de semana (considerando dias úteis de segunda a sexta, aproximadamente 960 horas de trabalho. Isso enquanto fazia um esforço físico muito maior. É obvio que o fato do engenheiro ter doado primeiramente 6 anos de sua vida se dedicando aos estudos faz com que ele mereça sim ser recompensado com um salário maravilhoso, mas ele ganhar muito, não impede que seu parceiro de trabalho cujo o esforço é majoritariamente físico ganhe bem, pelo menos o necessário para que ele seja feliz, e que não precise se enganar com mentiras para si próprio dizendo que é de sua personalidade gostar do pouco, que citei no texto como básico mas sabemos que é menos que isso.
Finalizo por aqui esse devaneio, agradeço a quem esteve presente e se dispôs a refletir comigo durante esses minutos. Que minhas escolhas sejam abençoadas, que meu caminho mesmo que nebuloso seja tranquilo e que minha família e amigos não sejam amaldiçoados caso meu futuro não seja próspero como eu imagino nas minhas noites de sono. Obrigado!