Exalto minha arte porque me encontro demais nela. A cada conceito que crio, tenho mais inspiração para fazer mais disso e expandir o universo musical que criei. Entretanto, ultimamente venho me questionando muito sobre minha identidade, musicalmente falando. Sempre pensei que um artista de qualidade era aquele que podia rimar em qualquer beat ou até mesmo cantar em qualquer estilo musical, mas vendo artistas como o BK, Brocasito, Ryu e outros, eu penso: quando as pessoas ouvem um segundo das músicas deles, rapidamente eles são reconhecidos.

E é aí que mora minha dúvida: será que me reconhecem? Ok, pra quem me conhece e convive comigo, não deve ser difícil, ou até é fácil, mas fico em dúvida em relação a quem não está no meu dia a dia e vice-versa. Podemos pegar o EP Beleza Pura, feito por mim em 2023, Dígitos - Remix (2024) e Animais (meu último lançamento) e colocar em comparação.

É a mesma pessoa cantando, mas os beats são diferentes, a performance e entonação vocal também. Enquanto em "Quando Você Vem?" eu canto de forma tranquila e serena, de forma irônica e despojada em algumas partes. "Animais" vem com uma forma mais agressiva/bruta, com uma entonação mais alta e selvagem, não me preocupando com estar no tom ou no tempo (apesar de encaixar muito com o beat).Enfim, não sou muito bom em escrever textos (espero melhorar isso), mas o que quero dizer é que EU, Kyori, Luis Felipe, me encontro na minha música, mas, querendo ou não, um artista vive da opinião e do consumo da sua arte pelo público; público esse que quase nunca está sujeito a mudanças.

Daí que vêm o medo, a insegurança, o passo para trás que faz com que eu tenha medo de lançar projetos com uma estética tão diferente dos anteriores. Apesar disso, sei que ainda não sou famoso, nem tenho uma base de fãs tão grande ao ponto de isso ser uma preocupação que me cause problemas reais.

A conclusão que eu dou para esse assunto é que eu devo apenas continuar. Alguém vai ouvir e talvez vá gostar de alguma música, vai se agarrar a ela, mesmo não curtindo tanto as outras. Outras pessoas, que são mais ecléticas, vão ouvir e gostar de mais de uma e me considerar um artista versátil. No final das contas, o que importa sou eu. É o que eu penso sobre minha própria arte e se estou satisfeito ou não com ela. Ser versátil ainda vai ser minha maior arma.